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Amigos da nutrição

27 de junho de 2011

PROGRAMA COZINHA BRASIL INFANTIL – UMA ABORDAGEM PARA EDUCAÇÃO ALIMENTAR.

Minha passagem pelo programa SESI - COZINHA BRASIL, me proporcionou além da convivência com profissionais maravilhosos alguns "louros" da profissão. O artigo apresentado no 7° Fórum Nacional de Nutrição 2011 - Rio de Janeiro e publicado na revista Nutrição em pauta, foi um dos trabalhos que tive o prazer de escrever, junto com a Equipe Cozinha Brasil, no qual podemos compartilhar com o público, o relato dessa experiência maravilhosa que é trabalhar com crianças, confira o artigo! 


Artigo publicado na Revista Nutrição em pauta e apresentado no 7º Fórum de Nutrição 2011 - Rio de Janeiro
Nutrição e Saúde Pública

Autores: COELHO, N.B.; MONTEIRO,A.F.; OLIVEIRA, F.C.; SICILIANO, I.; SENRA, P.M.; GOMES, K.D.; CARVALHO, E.H.

Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência do Cozinha Brasil Infantil com crianças de duas escolas localizadas na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Transmitido pela família e sustentado por tradições, o comportamento alimentar tem suas bases fixadas na infância. Nesta fase da vida, há maior liberdade em relação ao modo de se alimentar oferecido pelos pais e também há influências do ambiente escolar e dos hábitos alimentares dos colegas. Algumas alternativas comuns são utilizadas pelos pais nessa fase, como “esconder” os vegetais nas refeições de forma a fazer com que a criança coma sem saber o que está consumindo, evitando assim a rejeição do alimento que até então se encontra “camuflado” na refeição. O Cozinha Brasil é um programa de educação alimentar, que visa contribuir para a promoção do aumento da qualidade de vida da comunidade através do acesso a informações que permitam autonomia nas escolhas alimentares mais saudáveis.

O Cozinha Brasil Infantil, uma modalidade do Cozinha Brasil voltada para crianças, possui a finalidade de estimular o consumo de alimentos que geralmente sofrem rejeição por parte das crianças e acrescentar conhecimentos nutricionais básicos às crianças participantes do projeto. Foram promovidas aulas de educação nutricional a 127 alunos de 2º a 4º ano, em duas escolas municipais de uma comunidade da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, no mês de novembro de 2010. Para estimular a participação das crianças, elaborou-se uma gincana, na qual as escolas competiam entre si. Durante as aulas as crianças auxiliavam no preparo de receitas, como por exemplo, suco da horta (couve, maracujá e limão), “refrigerante” caseiro, hambúrguer de aveia, macarronada saudável e beijinho de soja. O contato das crianças com os alimentos durante o preparo das receitas, aguçou a curiosidade das mesmas, promovendo uma maior aceitabilidade das preparações. Outra atividade realizada com as crianças foi a gincana, que era composta por várias tarefas, que ao serem executadas com sucesso, acumulavam pontos para as turmas participantes.

A gincana possuía tarefas relacionadas à educação nutricional, como por exemplo, em cada turma, dois alunos se candidatavam a preparar em casa o suco da horta com o auxílio do responsável e aplicar o “teste de aceitabilidade”. Nesta atividade o aluno oferecia o suco para degustação a amigos e familiares sem revelar seus ingredientes. O aluno observaria a reação do provador, que deveria “adivinhar” o sabor do suco. Outra tarefa da gincana era a aplicação do “Questionário de Consumo de Fibras”, no qual o aluno deveria entrevistar um colega de turma ou algum familiar, anotar todos os alimentos consumidos pelo entrevistado durante 1 dia e identificar os alimentos com fibras.

Este questionário demonstrou para muitos participantes o baixo consumo de alimentos com fibras e ressaltou a importância do consumo da merenda escolar, que na maioria das vezes, é a única fonte de fibras diária. Uma tarefa constante da gincana era “provar todas as preparações”. Foi explicado para todos que ninguém era obrigado a gostar das receitas, porém, todos deveriam prová-las. Esta tarefa foi bastante polêmica para todos, principalmente no primeiro dia, porém, nos demais dias, a resistência foi diminuindo e os próprios colegas de turma incentivavam quem tinha receio em provar as receitas. Também foram abordados temas como: a importância das vitaminas e sais minerais, anemia, carboidratos, gorduras, proteínas e rotulagem nutricional.

A importância da higiene das mãos e dos alimentos foi demonstrada através da dinâmica da purpurina, na qual a nutricionista colocava purpurina em suas próprias mãos, de modo que não fosse percebido pelos alunos e apertava a mão de cada aluno, cumprimentando-os. Ao final da apresentação, era percebido por eles que suas mãos estavam “brilhando”. Era apresentada, então, a “azulina”, uma bactéria azul muito pequena, transmitida através do aperto de mão. A partir daí, era explicada a importância de lavar as mãos e os alimentos de forma correta. Através das atividades realizadas com as crianças, observou-se o grande poder de multiplicação que este público possui, já que muitos responsáveis começaram a se interessar pelo que estava sendo realizado nas escolas e a relatar uma certa melhora no comportamento alimentar destas crianças.

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